domingo, 17 de abril de 2011

Alberto Caeiro

"Tristes das almas humanas que põem tudo em ordem,
Que traçam linhas de coisa a coisa,
Que põem letreiros com nomes nas árvores absolutamente reais,
E desenham paralelos de latitude e longitude
Sobre a própria terra inocente e mais verde e florida do que uso!”

O cenário idílico de uma mesa de piquenique, coberta por uma vinha, personifica o carácter simples e bucólico do heterónimo Alberto Caeiro.
Primeiro criaram-se as linhas que dariam forma à vinha, usando a "Pencil tool". De seguida, usando a ferramenta “Attach to path”, moldou-se o texto às linhas criadas. Procedeu-se à alteração da cor, tamanho e espessura do texto para criar os diferentes formatos dos ramos. Este era o elemento principal do projecto e aquele que mais rapidamente ficou pronto. O mais difícil era decidir como desenrolar a composição a partir daí.
Acabamos por manter o documento na vertical e por enquadrar a vinha no topo da imagem, deixando um vasto espaço para o solo, que ajuda a transmitir a ideia de “terra inocente” e de um cenário campestre e primitivo. No chão, as folhas (representadas pela letra "t") amontoam-se, criando um cenário outoniço.
A mesa, composta por uma flor (com o “O” que completa os dois nomes do heterónimo: Alberto e Caeiro), é feita com dois “r’s” simétricos e um T, esticado depois de aplicar o “Split”. O nome do heterónimo foi, assim,  escrito simetricamente e aponta simbolicamente para um espaço de vida e de verde à volta da mesa onde se encontra pousada a flor. Rodeada ainda pelo castanho das folhas, como um mundo mortiço e desgastado, pelo homem que o transforma e nele procura significado para tudo.
Para além da acima descrita, a outra razão pela qual decidimos usar a cor nesta composição foi precisamente para reforçar o seu efeito. O castanho e o verde são as cores mais presentes na natureza e ajudam à compreensão imediata da imagem que, por limitações técnicas, não é tão clara e elucidativa como a princípio se pretendia.
Ainda assim, o resultado foi bastante satisfatório dado ao contexto. Uma nota para o nome do heterónimo (era requerido no enunciado que estivesse presente) que surge no extremo direito da imagem.
 
Ricardo Reis

Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço.”


O que se pretendia com a composição relativa ao heterónimo Ricardo Reis era ilustrar o excerto do poema, recorrendo à tipografia. Como elementos de presença obrigatória tínhamos a pagã triste, que é o tema central do poema, o rio que passa, como a vida, e o Sol que simboliza a efemeridade do dia, a imediatez do presente e que vai ao encontro da filosofia do “carpe diem” deste heterónimo.
Assim, optamos por criar uma composição mais simples e mais vaga, como a memória que o poeta evoca no poema. Como que substituindo a figura da pagã triste, as duas palavras aparecem na margem do rio. O “A” da palavra “Pagã” foi alterado para conferir a ideia de feminino, recorrendo ao “til” para simbolizar o cabelo ondulando ao vento, e preenchendo a letra com a cor preta, de modo a moldar-lhe um corpo. Na palavra triste, a lágrima que escorre da letra “i” foi desenhada para reforçar o sentido da palavra.
Para recriar o rio recorremos à mesma técnica usada para desenhar a vinha. Com a "Pencil tool" criaram-se as linhas que representavam a ondulação e o movimento da água, procedendo-se à "fusão" do texto com esses contornos.
Por fim, o sol. Primeiro desenhou-se uma circunferência e de seguida uma caixa com o texto de 24 linhas que servia de matéria-prima à composição. Usando o “Paste special”, este texto foi recortado na forma da circunferência. Por fim, o nome do heterónimo surge em destaque, pintado de preto (o resto do texto está a cinzento), por entre as frases que dão corpo ao sol.
 
Álvaro de Campos
 
“Ó rodas, Ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!”



Álvaro de Campos. O heterónimo do futuro e da revolta. O Maquinista. A palavra fúria, a chaminé, o fumo, o relógio e as rodas dentadas são talvez os símbolos que mais se relacionam com ele.
Usando o texto de 24 linhas, pretendíamos dar a ideia do fumo que sai duma chaminé. A chaminé foi desenhada com a "Line tool" e substitui a letra “i” na palavra Fúria. A letra “A” foi alterada e engrossada, de modo a reforçar visualmente o sentido da palavra. Para o fazer, recorreu-se à opção “Split”.
Nesta composição decidimos não criar nenhum cenário, nem dispor os elementos logicamente e de forma organizada. Isto para ir ao encontro da personalidade do heterónimo e do excerto que servia de ponto de partida. O passo seguinte foi desenhar a roda dentada em forma de relógio. Para isso, retirou-se uma imagem "bitmap" da Internet e recorrendo à ferramenta “Trace” esta foi convertida para formato vectorial.
De seguida, aumentamos diâmetro da circunferência branca que ocupa o centro da roda dentada, para que esta se assemelhasse mais à forma de um relógio. Posto isto, e usando a imagem de um relógio como referência, desenhou-se os traços correspondentes às 12 horas. Por fim, com a opção “Attach to path” colocamos o texto desejado nas linhas dos ponteiros do relógio. Entre este texto encontra-se o nome do heterónimo.

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